Memórias de infância: como escrever as suas, com perguntas e um exemplo
Muita coisa da infância se perde porque ninguém anotou. Veja como puxar essas lembranças, organizá-las e escrever sem medo, mesmo que você nunca tenha escrito nada.
O quintal, o cheiro do almoço de domingo, a escola, a bicicleta emprestada: a infância é feita de pequenos detalhes, e são esses detalhes que os filhos e os netos mais querem ler. O problema é que eles somem rápido. Escrever hoje, em partes pequenas, é a melhor maneira de não perder.
Você não precisa de um texto bonito. Precisa de lembranças concretas, contadas do seu jeito.
Passo 1. Comece por um lugar, não por uma data
É mais fácil lembrar de uma casa do que de um ano. Feche os olhos e percorra a casa onde você cresceu: a porta da frente, a cozinha, o quarto, o quintal. Anote o que você vê, ouve e cheira em cada cômodo. Cada lugar vira uma lembrança, e cada lembrança, um trecho do texto.
Passo 2. Use perguntas para puxar a memória
- Como era a rua onde você morava? Quem eram os vizinhos?
- Qual era o seu brinquedo ou a sua brincadeira preferida?
- O que se comia em casa no dia a dia e nas festas?
- Como era o caminho para a escola? Você tinha um professor marcante?
- Quem cuidava de você? Qual era a história favorita da família?
- Qual foi o maior susto ou a maior travessura?
- Que música tocava em casa?
Prefere contar a escrever? Grave a lembrança com as suas palavras e o VoiceMoir transforma a gravação em texto, que você pode reunir com as outras em um livro.
Experimente grátis no iPhone →Passo 3. Escreva uma lembrança por vez
Pegue uma pergunta e escreva meia página. Não tente cobrir a infância inteira. Um episódio por semana já rende, em poucos meses, um capítulo. Se uma lembrança não vier, passe para a próxima; ela costuma voltar depois, quando você menos espera.
Passo 4. Conte com os cinco sentidos
Pense no que você via, ouvia, cheirava, provava e sentia. «Minha avó fazia bolo de fubá» é uma informação; «o cheiro do bolo de fubá subia pela casa inteira e a gente rondava a cozinha com a desculpa de pedir água» é uma cena. Quem lê vê.
Um exemplo curto
«A casa dos meus avós tinha um pé de goiaba no fundo do quintal. Meu primo e eu subíamos escondidos, e minha avó fingia que não via, só para nos dar o gostinho da travessura. Até hoje, quando sinto cheiro de goiaba, lembro do chão de terra batida e do barulho do chinelo dela chegando.» Sem palavra difícil, e mesmo assim dá para ver o quintal.
Passo 5. Fale, se escrever for difícil
Algumas pessoas contam melhor do que escrevem. Ligue a gravação do celular, conte a lembrança como se estivesse conversando com um neto e depois transforme em texto. Corrija só o que atrapalha a leitura; o jeito de falar faz parte da graça.
Passo 6. Pergunte aos irmãos e primos
A memória de cada pessoa é diferente. Conversar com irmãos, primos ou amigos de infância costuma trazer detalhes que você tinha esquecido. Não tem problema se as versões divergirem: anote a sua e, se quiser, acrescente «meu irmão se lembra de outro jeito».
Passo 7. Junte fotos e dê um título a cada trecho
Uma foto antiga ajuda a lembrar e depois enriquece o texto. Escreva atrás ou na legenda quem aparece, onde foi e mais ou menos quando. Dê um título curto a cada trecho («O pé de goiaba», «A rua da escola») e, no fim, você já tem os capítulos.
O que evitar
- Esperar a lembrança perfeita. Comece pelo que vier.
- Escrever o que você acha que devia sentir. Conte o que de fato sentiu.
- Expor outras pessoas sem pensar. Se um episódio envolve alguém que ainda vive, avalie se ela gostaria de aparecer.
Como manter o ritmo
Escolha um dia fixo, como o domingo de manhã, e escreva ou grave uma lembrança por semana. Releia de vez em quando e acrescente detalhes novos no fim, sem refazer o texto. Mostrar um trecho para alguém da família também ajuda: a reação costuma ser «nossa, eu não sabia disso», e dá vontade de continuar.
Suas lembranças, em um livro
O VoiceMoir é um aplicativo para iPhone. Adicione sua mãe, seu pai ou qualquer pessoa da família à sua «Árvore da Vida», toque na pessoa e escolha «Histórias e livro», toque em «Gravar uma história» e passe o celular: a pessoa conta com as próprias palavras, o aplicativo transforma a gravação em texto, você marca quem está falando e, ao montar o livro, as histórias se reúnem em um livro que você pode ler e salvar em PDF. Ela não precisa instalar nada nem criar uma conta. Gravações longas (até 10 minutos) exigem o Premium.
Baixe o VoiceMoir na App StorePlano gratuito: 10 gravações por mês de até 30 segundos cada e montagem do livro duas vezes por mês por conta. O Premium permite gravações de até 10 minutos; os primeiros 7 dias de Premium são grátis depois de confirmar o seu e-mail. Se a assinatura terminar, o livro continua disponível para ler e baixar no plano gratuito. O aplicativo guarda o texto das histórias; as gravações de áudio são apagadas após 90 dias.
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